Um ideal

ESFORÇO, DEDICAÇÃO, DEVOÇÃO E GLÓRIA, o lema que fez do Sporting um grande clube, tão grande como os maiores da Europa”

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quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Mais uma medalha para Paulo Bento

A queixa da APAF promete apresentar na Liga contra Paulo Bento bem poderá ser considerada como uma medalha de mérito desportivo para a sua curta carreira.

Estamos a falar de uma organização de classe que durante décadas esteve calada perante a indigência moral de muitos dos seus associados, que optou pelo silêncio perante pressões, coacções e tentativas bem sucedidas ou não de corrupção. Que conviveu estreita e alegremente com os autores e mentores do regabofe contando com a aquiescência ou omissão dos órgãos federativose da Liga, da justiça comum e até da tutela governamental. Por isso qualquer queixa com origem numa organização com esta bandeira é como uma condecoração para o visado.

Nós, os sportinguistas do Norte sabemos bem do que fala Paulo Bento. A arbitragem mete nojo há muito tempo, mesmo que nos tenhamos habituados ao seu mau cheiro.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Da epifania ao hara-kiri

A sorte também protege os mais fracos
Devem estar satisfeitos os apologistas do futebol feio e desarticulado: ontem a eliminatória sorriu à pior equipa em campo e que em determinados momentos – toda a 1ª parte e em quase todos os momentos do jogo – esteve quase sempre dominada e controlada. Nem sequer se pode dizer que o FCP foi uma equipa calculista ou que tenha revelado qualquer audácia que merecesse a sorte que teve. Os azuis e brancos nunca quiseram evitar o prolongamento ou os penaltys, preferindo a lotaria à competência.

Da epifania ao hara-kiri
A melhor exibição da época revelou que esta equipa pode jogar muito melhor do que o vinha fazendo, embora o resultado final abra a porta aos cínicos que acham que uma equipa tem de abdicar do bom futebol para ganhar mais vezes. Ironicamente o único golo marcado resultou de uma oferta do adversário e não de uma das muitas boas jogadas que por inúmeras vezes o encostaram às cordas. Usando a sua qualidade de anfitriã simpática a equipa não quis ficar atrás e devolveu a oferta de forma quase ridícula. Como é possível marcar um canto atrasando uma bola para o meio-campo e da perda de bola sofrer um golo? Foi o espetar da lâmina que havia de ser enterrada até ao punho com a incompetência na hora de marcar os penaltys. Sim, porque não é azar perder praticamente todos os jogos que requerem este tipo de desempates: assim de cor vejo todas as últimas vezes que fomos eliminados na Taça (2 pelo FCP, 1 pelo SLB) e a final da Taça da Liga. Talvez não por acaso os falhanços foram dos jogadores que estiveram ligados ao pior do Sporting: Abel esteve desastrado em todo o jogo, sendo sempre pelo seu lado que o perigo surgiu. Rochemback atingiu o nível da anedota no lance do golo e marcou o penalty como marca os livres: fecha os olhos e remata.

A diferença esteve na experiência
Na hora dos penaltys faltou a Patricio o que sobrou a Helton: a experiência. Pelo menos 3 penaltys do FCP foram tão mal apontados que só entraram porque em todos eles Patricio se precipitou quando bastaria ter ficado no lugar. A mesma precipitação que o levou a empurrar Hulk num lance absurdo que ditaria a expulsão de Caneira. Pese a dificuldade para um guarda-redes neste tipo de lances, é estranho que vendo a bola entrar pelo centro da baliza mais que uma vez não tenha optado por esperar uma vez que fosse. São pormenores que, tendo em conta as circunstâncias, não deslustra a evolução deste miúdo num contexto muito adverso.

Paixão por arbitrar mal
A arbitragem de Paixão não me surpreendeu: esteve ao seu nível habitual. A expulsão de Caneira roçou o ridículo, mas aí o mal deve ser dividido pelo árbitro-auxiliar, que indicou ao árbitro um cartão injustificado, e pelo próprio Caneira, que já sabe o que a casa gasta: já foi assim que havia sido expulso na última meia-final com o FCP, no Dragão. Somos o único dos 3 grandes a quem os árbitros-auxiliares gostam de brindar com a sua incompetência. Por isso, de acordo com Paulo Bento.

sábado, 8 de novembro de 2008

Não é só Taça...


Encerramento da Cimeira Luso-Ucraniana
Poderia ser amanhã a final da recente cimeira luso-ucraniana, que juntou em jogos da Champions League as 2 melhores equipas dos últimos anos de cada país. Os caprichos de 2 sorteios diferentes decidiram juntar as 2 equipas, como que se de uma final se tratasse, após as recentes vitórias nos seus confrontos europeus.

Prova de aferição
Os jogos entre grandes têm uma tendência histórica de ganharem uma vida própria, indiferente aos momentos e tendências de qualquer das equipas em confronto. Mas o jogo de amanhã servirá pelo menos para 2 coisas: esclarecer se a recente vitória de Jesualdo em Alvalade, para o campeonato, encerrou ou não a sua propensão para perder com Paulo Bento e que repercussões tiveram as importantes vitórias europeias na confiança das equipas.

A importância das vitórias
Vencedor das úlltimas edições da competição em disputa, este Leão das Taças tem um estatuto a defender. Amanhã é por isso um dia de ganhar. Não só para assegurar a sua continuidade na prova, mas porque a equipa que o conseguir empurrará o adversário para o purgatório da dúvida sobre si própria, que ambas as equipas querem deixar após o jogo europeu. E poderá deixar lesões no ânimo que indiciava a retoma de ambos. Por isso é tão importante ganhar aos rivais: o bem que nos faz ao ego é-lhes inversamente proporcional e pode deixar marcas que nos ajudarão no campeonato. Por isso amanhã não é só Taça. E para um "Leão a Norte" as vitórias sobre o FCP têm um sabor especial e duradouro, prolongando-se pela semana fora.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Saber ler e escrever ainda melhor!

A história far-se-ia sempre. Ao alcançar a vitória que proporciona um momento inédito na história do clube, a equipa inaugurou um capítulo diferente. Um capítulo onde escolheu a função que nele quis desempenhar, sem ficar à espera dos papeis sobrantes ou das vagas de ocasião. Ontem a equipa soube ler e perceber a importância do momento e escreveu-o de forma ainda mais eficaz.

Independentemente do ranking circunstancial que as equipas possam ocupar, era para mim incontestável que os meios humanos à disposição de Lucescu tornariam os jogos com o campeão ucraniano uma tarefa árdua e difícil para o Sporting. Quantos dos jogadores do Shaktar não seriam titulares indiscutíveis no Sporting? As 2 vitórias alcançadas nos 2 jogos são por isso um feito assinalável e cujo mérito deve ser atribuído por inteiro antes de mais a Paulo Bento. A forma coerente com os seus princípios de jogo com que tem orientado a equipa começa a dar os seus frutos, um bocado contra a corrente generalizada de opinião e deste escriba em particular. Pelo que vi e li ainda não há a magia das exibições mas há um novo patamar alcançado, de onde se pode ver um clube com mais exposição internacional até Fevereiro. E, por inerência, com quase meio orçamento anual para a equipa de futebol já garantido. E como tenho dito, se a equipa e Paulo Bento podem ser criticados quando não jogam bem nem ganham, seria quase esquizofrénico zurzir-lhes por ganharem e seguirem em frente. Nem que o façam à pazada…

Obviamente que os jogadores não podem ser esquecidos. São sempre os protagonistas e desta vez o papel principal foi o da equipa. Parece que ontem todos devem ter sentido que o pontapé certeiro de Derlei foi de todos um pouco.

De fora do mérito não pode ficar a Administração da S.A.D., a escora de Paulo Bento em todos os momentos. Mesmo assim não isenta de críticas pela forma como tem gerido a comunicação interna e a intervenção mediática. Com todos os seus defeitos e virtudes, Paulo Bento e Filipe Soares Franco têm sido os únicos a aparecer em todos os momentos. Justiça seja feita a Ribeiro Telles e Barbosa que, quando ganham – sim, porque a vitória também é deles – não se põem em bico de pés. Ontem “ninguém os viu”. Mas, em termos mediáticos, para o interior e exterior, Bento e Franco não devem os únicos pontos de apoio de uma trave difícil de carregar.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Encontro com a história

Sem prenda
Quis o acaso que se juntasse ao dia do meu aniversário o dia em que o Sporting pode alcançar pela 1ª vez na sua história os oitavos de final da Champions League. A prenda que eu acho que bem merecia era ter a possibilidade de estar presente no apoio ao meu clube neste momento decisivo da sua vida e que pode ser um passo importante na afirmação do seu prestígio a nível internacional. Infelizmente o fascínio e o gozo de uma noite em Alvalade ficará reduzido aos resumos que possam ser visionados a partir das 10.30 p.m., hora a partir da qual ficarei livre de compromissos.

Dar para receber
Para mim, adepto de coração, e que não tenho que gerir a tesouraria, o prestigio e afirmação internacional do meu clube, é muito mais importante que o dinheiro que possa resultar de uma possível qualificação. Se quiserem oferecer-nos essa prenda, a nós adeptos, que mais dia menos dia celebramos a existência, não faltarão os momentos para retribuirmos com gratidão.

Atencipar-se aos deuses
Não deixar a decisão da qualificação para as calendas ou para a sempre imprevisível boa-disposição dos deuses é aquilo que se pede hoje à equipa. O cenário de hoje é o mesmo que em ocasiões anteriores, igualmente decisivas, nos ditou um encontro com a materialização dos nossos piores pesadelos. É também por isso importante que, com uma vitória, se esconjure o fatalismo que muitas vezes nos parece perseguir nos momentos decisivos.

Categoria
A classe e o carácter são qualidades imprescindíveis a quem quer vencer mais e mais vezes e, por norma, o melhor antídoto para a malapata. Porque se não há vencedores sem sorte, perder sistematicamente nos momentos decisivos não pode ser imputado apenas ao azar. Hoje far-se-á história. Que a equipa decida escrever por si a forma como quer ser lembrada. Ou outros o farão em seu lugar.

Mais vale tarde...
Finalmente parece ter chegado o bom-senso na politica de preços para os sócios. Cabe-nos agora corresponder ao desafio.

domingo, 2 de novembro de 2008

Missão cumprida


Destaque
Do jogo de ontem parece-me merecer nota de destaque o bom trabalho colectivo. O trabalho que foi feito na preparação deste jogo desde o gabinete técnico até ao relvado. Vi os jogos anteriores (via tv) do Rio Ave contra os nossos rivais e temia que a nossa equipa não se desse bem com os ares de Vila do Conde, tal como havia acontecido em Paços de Ferreira e por razões idênticas: a extrema combatividade da equipa, um meio-campo superpovoado, para contrapor à menor capacidade colectiva face aos adversários mais cotados.

Os alicerces sólidos da vitoria
Paulo Bento delineou bem a estratégia, anulando completamente o adversário. A equipa percebeu as indicações e executou-as com precisão, mas com excessiva lentidão. Tendo dominado o adversário, faltou-lhe uma execução mais rápida e maior exploração das alas para materializar em golos esse domínio. Esse é talvez o maior problema desta equipa e do seu futebol: exerce um domínio por vezes demasiado platónico, esquecendo-se que mesmo dominando não se consegue controlar a sorte e o azar inerentes ao jogo, ficando à mercê desse factor aleatório.

Sem aproveitar não há ganho
Uma nota de realce também para a execução dos pontapés de canto, que foram muitos ontem. Além da excessiva passividade com Rochemback se arrasta para a sua marcação, estes são normalmente mal executados e de forma inofensiva. Uma arma como esta não pode ser assim desperdiçada. Mesmo a ausência de Tonel não pode explicar tudo. O Rio Ave ontem percebendo que daí não vinha perigo fartou-se de enviar bolas pelo fundo sem cerimónias.

Os mais e os menos
Tendo sido uma vitória colectiva é de realçar a exibição segura e personalizada de Patrício, a quem se deve a manutenção da vitória, com uma estirada magnifica respondendo ao livre que havia ditado a expulsão de Derlei. O Ninja teve uma sombra do que foi e ainda por cima reincidiu numa atitude digna de um “rookie”. Não via que vantagem teria a sua inclusão no lugar de Postiga e vi confirmadas as minhas razões. Liedson é um caso à parte neste plantel em categoria e atitude. Várias foram as vezes que o vi protestar com os colegas por demorarem a executar os lances ou recolher as bolas.A entrada de Veloso e a saída de Romagnoli pecou por não ter sido logo no início do jogo. O argentino arrasta-se em campo e de jogo para jogo.

Estes devem ter jogado na dupla 1X...
A arbitragem foi vergonhosa e piorou na 2ª parte, sintomaticamente depois de terminarmos o 1º período a ganhar. O péssimo trabalho dos assistentes (se pudessem ter anulado o nosso golo tê-lo-iam feito), foi sempre sancionado por Jorge Sousa. O assistente colado ao banco deve ser guarda de passagem de nível de profissão: levantava a bandeira sempre que passava o ataque do Sporting. Ou então respondia às ordens do treinador do Rio Ave, sempre encostado a ele. Se considerarmos certa a expulsão de Derlei por pontapear a bola, na jogada a seguir o defesa-direito do Rio Ave fez igual e nada lhe aconteceu.

Adeus triste e frio
Em post a colocar amanhã darei conta de incidências que escaparam à transmissão televisiva. Mas deixo aqui já o meu protesto pela forma como a equipa saiu do relvado, com metade a ignorar os adeptos presentes, que nunca se calaram. Moutinho, o capitão, esteve presente num adeus distante e pouco consentâneo com o agradecimento que os sportinguistas mereciam. No entanto, dada a dispersão dos jogadores, quando Moutinho se virou já muitos se tinham ido. Se alguém deveria ter promovido esse contacto deveria ter sido Pedro Barbosa, que não está lá só para estar calado quando deve falar ou para levar os jogadores à linha para as substituições.

Missão cumprida em Vila do Conde, onde os adversários deixaram 2 pontos.

sábado, 1 de novembro de 2008

Viagem aos Arcos: redenção ou calvário?

Não é a altura de falar em pormenor da conferência de imprensa de ontem não posso deixar de referir o seguinte:

1) É urgente proteger Paulo Bento. Em primeiro lugar dele mesmo. O ridículo mata. E quando não o faz fere. Foi o que aconteceu ontem na conferência de imprensa. Saiu ferida a imagem de Paulo Bento e com ela a do clube.

2) Talvez fosse bom falar um pouco mais de futebol, de tácticas e da prestação de jogadores. Corremos o risco de ver as conferências de imprensa do nosso treinador principal confundidas com as do Ricardo Costa, da C.D. da Liga, tantos são os casos disciplinares. Ou ser levados a pensar que estas conversas são tidas com o propósito de afastar as perguntas que deveriam ser feitas como por exemplo: porque joga tão pouco e é tão perra a equipa? Ou porque em vez de evoluir em segurança e qualidade de jogo a equipa parece regredir. Ou se sente segurança para afirmar que, com este jogo, é possível ser campeão.

3) Porque fala tanto daquilo que não existe? Se o ambiente no balneário é bom, os jogadores são cumpridores e empenhados então porque se fala tanto no oposto? E porque tem de ser o treinador o intérprete de Moutinho, que até é português?

4) Paulo Bento pode sempre escolher. Se escolher perder e não mudar alguém o fará por ele.

Terei que voltar aqui um destes dias. Mas é evidente que, com a pressão a subir por via dos resultados – lembro que para o campeonato vimos de D-D-E, com 4 golos sofridos e apenas 1 marcado – e com o elevar do tom da contestação pelo decepcionante estado de coisas, é necessário que o treinador se concentre na sua principal tarefa que é por a equipa a jogar a um nível que seja mais fácil ganhar ou então a ganhar simplesmente.

Daqui a umas horas lá estarei no estádio dos Arcos. Provavelmente um dos mais desconfortáveis da I Liga, especialmente quando chove ou apenas venta. O jogo vem na melhor altura, se a equipa decidir rectificar a impressão que não é capaz de contrariar adversários menos dotados mas aguerridos. É que são muitas as semelhanças entre os jogos de Paços e de Vila do Conde. Já saímos de ambos os sítios com copiosas derrotas de 4-0. E virá na pior altura se a equipa persistir em contemplar o adversário.

Se se confirmarem as noticias, Hélder Postiga ficará no banco. Acho mal a intermitência na aposta, mas é evidente que Liedson gosta mais de Derlei a seu lado. Se tal acontecer, Postiga que explique aos jogadores como joga a equipa da sua terra: à imagem da maioria dos associados, homens que se não temem o mar, não temem jogar contra quem seja.