Um ideal

ESFORÇO, DEDICAÇÃO, DEVOÇÃO E GLÓRIA, o lema que fez do Sporting um grande clube, tão grande como os maiores da Europa”

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quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

A aventura Europeia

Terminou a 1ª fase da Champions League e esta é a altura indicada para reflectir sobre o nosso desempenho e projectar o que aí vem.

O facto mais importante a realçar é, inevitavelmente, o apuramento para a fase seguinte. Era um dos objectivos da época, era um anseio de todos os sportinguistas. É pois 1 momento de regozijo. Se, após o sorteio, conseguisse adivinhar este resultado declarar-me-ia satisfeito e é satisfeito que estou. Não vejo motivos para euforias mas também não imagino nenhum sportinguista deprimido com o feito. Na fase agora finda conta essencialmente a regularidade com que se alcançam os pontos e isso foi um facto. Os únicos factos menos positivos são os resultados com o Barcelona (lá até nem nos podemos queixar da sorte…) e exibições titubeantes, ou, servindo-me de uma expressão aqui usada pelo caríssimo JVL, bipolares: esta equipa continua a conseguir, no mesmo jogo, subir e descer de patamar exibicional tão rápido como 1 elevador de arranha-céus.

Outro facto que me parece igualmente indesmentível e que está ligado às últimas linhas do parágrafo anterior é que, na eliminatória que se segue, Paulo Bento tem que conseguir estabilizar o tal elevador nos andares superiores. Isto é, a equipa vai ter que conseguir subir a qualidade do seu jogo, diminuindo a sua intermitência, e dar uma resposta mais competente do que a conseguiu até agora com os adversários mais fortes com que se cruzou, seja no Liga, na Taça ou na Champions. Porque, como sabemos, perdeu todos os confrontos. Não deixa de ser estranho que não se tenha sentido até agora que a equipa, e os jogadores por si, não se galvanizem com os grandes jogos. A excepção foi o jogo da eliminatória da Taça de Portugal, embora o resultado tenha sido idêntico aos outros jogos referidos.

Só na próxima semana se saberá o adversário que nos calhará em sorte. Mas há condições que já se podem antecipar: não haverá nenhum Basileia pela frente e os adversários estarão mais próximos das dificuldades impostas pelos catalães do que pelos suíços. Também não tenho dúvidas que os adeptos do clube que nos calhar em sorte julgar-nos-ão suíços e pensarão que lhes saiu sorte grande. Cabe-nos a nós todos, à equipa em particular, entregar-lhes o bilhete da terminação e segurar a sorte grande com os pés, a cabeça, as mãos e, se preciso for, com os dentes. Exige-se a todos, à equipa em particular, uma mentalidade de conquista, sem subserviências ou complexos de inferioridade. A história não joga mas nela podem-se recolher lições de vida. Por exemplo, quem acreditaria que após perdermos por 4-1 em Manchester daríamos a volta em Alvalade, ganhando por 5-0, e estaríamos de azimute apontado para a final da Taça das Taças, a nossa grande conquista internacional no futebol? Venha quem vier que encontre um Sporting à Sporting. Clube de Portugal!

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

A neve de Basileia

Numa noite de inverno em que choveu copiosamente durante toda a partida, tendo mesmo chegado a nevar com alguma intensidade, o Sporting foi a Basileia conquistar a sua 19.ª vitória em 64 partidas disputadas na competição de clubes mais importante do futebol europeu. Com esta vitória, o Sporting soma 12 pontos num grupo em que apenas perdeu com o poderoso Barcelona, passando pela primeira vez a fase de grupos da milionária prova europeia.

É preciso recuar ao ano de 1983, altura em que o clube atingiu os quartos de final da antiga Taça dos Campeões Europeus, para encontrar um registo minimamente condizente com a envergadura do Sporting Clube de Portugal, que deveria estar mais habituado à alta-roda do futebol europeu.

Felizmente que o legado de conquistas nas diversas modalidades, que gerações e gerações de Sportinguistas conquistaram com esforço, devoção e dedicação, ainda hoje nos permitem recordar a gloria, motivando-nos para continuar a acreditar nos ideais que o nosso clube sempre projectou no desporto e na sociedade.

A noite chuvosa de Basileia trouxe-nos duas partes distintas. Na primeira parte, o Sporting jogou bem, trocando a bola, explorando as linhas laterais, apresentando um futebol mais fluido do que habitualmente nos tem mostrado e criando com isso algumas oportunidades de golo. Aos 18 minutos, Yannick, aproveitou um cruzamento perfeito de Izmailov e inaugurou o marcador, culminando assim uma excelente jogada de futebol.

Paulo Bento já tinha ensaiado outro esquema táctico na parte final da partida com o Estrela da Amadora, jogando em 4-2-3-1. Hoje, embora recorrendo ao habitual 4-4-2 em losango, ficou claro que Pereirinha dá outra dinâmica ao corredor direito. Izmailov pisou os terrenos que mais aprecia, em função de Vukcevic ocupar o lado esquerdo do losango. O futebol do Sporting com estas duas pedras bem colocadas atinge outra profundidade e não se torna tão previsível.

Na segunda parte as coisas inverteram-se e o Basileia, especialmente na parte final da partida, ameaçou as redes de Tiago, que ainda teve que se aprumar, mostrando que está sempre em forma para servir o Sporting. As lesões de Vukcevic, que saiu lesionado ao minuto 40 e de Pereirinha que já não regressou do balneário após a 1.ª parte, condicionaram bastante a estratégia leonina. Abel regressou à defesa, Adrien entrou ocupando a posição 6 de Rochemback que descaiu para a direita, fazendo Izmailov regressar ao vértice esquerdo do losango, onde normalmente tem actuado. Claro está que todas estas mudanças, conjugadas com os flocos de neve que iam caindo, originaram uma segunda parte fraca dos nossos leões, ressalvando-se no entanto o espírito de entrega e de ajuda, em condições atmosféricas desfavoráveis para a prática de um futebol mais apreciável.

Não podemos deixar de reconhecer e enaltecer a campanha positiva que estamos a fazer esta época no plano europeu, cujo reflexo encontra eco nos cofres de Alvalade, que como se sabe, carecem imenso de campanhas como esta, afim de se gerir o clube com algum equilíbrio financeiro.

De um clube que não tendo sido campeão no ano inaugural da Taça dos Campeões Europeus em 1955, foi convidado para disputar o seu primeiro jogo, fruto de na primeira metade dessa década praticar o melhor futebol da Europa, há muito que se esperava uma grande noite europeia em Alvalade nesta competição. Que a noite de Alvalade seja mais quente que a de Basileia.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Flashback

Quando José de Alvalade proferiu a frase que com o seu nome se eternizou, formulava um desejo e uma vontade, que nenhuma consequência teriam se, com um grupo notável de homens (igualmente notáveis per si ), não se tivesse devotado a erguer de raiz esse edifício notável que é o Sportinguismo.

Quando José de Alvalade afirmou que queria construir "um grande clube, tão grande como os maiores da Europa" não deve ter faltado quem se risse, ridicularizando quem se propunha competir com os maiores da Europa, num País cuja tradição na educação física se poderia comparar aos piores do mundo. Não se conformando com o fado luso ou dando ouvidos aos sempiternos velhos do Restelo, José de Alvalade e seus pares puderam contar com gerações consecutivas de seguidores para materializar o seu sonho.

Hoje o futebol não nos dá as alegrias pretendidas, e vivemos hoje o 2º maior jejum da nossa história, e ambos vividos na minha geração. As modalidades são cada vez menos, a sua representatividade e conquistas também. Olhando para o caminho trilhado desde o já longínquo ano de 1906, é difícil não sentir que algo se perdeu, ou pelo menos a rota que seguimos não é a que foi delineada.

Podemos refugiarmo-nos no saudosismo, polindo os troféus que testemunham a nossa glória, desistindo de multiplicar o seu número. Podemos olhar desconfiados uns para os outros, desculpando-nos connosco e com os outros. Lutar entre nós, tornando a vida fácil dos nossos adversários.

Ou, inspirando-nos na lição de José Alvalade, José Maria Gavazzo, Frederico Seguro Ferreira, Alfredo Augusto das Neves Holtreman, Fernando Soares Cardoso Barbosa, José Stromp, Henrique Almeida, Leite Júnior, João H. Scarlett, Francisco Quintela Mendonça e Alfredo Botelho, esforçarmo-nos pelo Sporting, dedicarmo-nos ao Sporting, devotarmo-nos ao Sporting. Foi assim que “Glória” se tornou um sinónimo de Sporting. Voltando a olhar para o longínquo ano de 1906, a tarefa deles era então bem mais difícil do que a nossa é hoje. Para cumprir o seu destino de grande entre os maiores o Sporting precisa apenas e só da vontade de todos os Sportinguistas. Hoje somos muitos mais que então e devemos esse esforço aos nossos antecessores, se quisermos estar à altura do seu legado.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

A estrela de Vuck

O Sporting somou hoje a sua terceira vitória consecutiva perante um Estrela da Amadora recheado de leões no onze inicial, que apesar de todas as dificuldades que enfrenta na presente temporada soube ser uma equipa determinada, ambiciosa e sobretudo digna de si mesmo.

Na primeira parte o losango do Sporting sentiu bastantes contrariedades, fruto da táctica apresentada por Lázaro Oliveira que soube manietar os laterais leoninos e com isso retirar profundidade ao futebol do Sporting. Silvestre Varela, foi um autêntico quebra-cabeças para a nossa defesa, querendo mostrar aos seus antigos companheiros que também deveria ter tido pelo menos mais uma oportunidade antes de na época 2004/2005 ter sido emprestado ao Casa Pia e dai para cá nunca mais ter tido a possibilidade de mostrar o seu futebol em Alvalade. Assim, aos 5 minutos Anselmo inaugurou o marcador para os da casa, após remate forte de Varela que “ludibriou” completamente Anderson Polga ainda fora da área leonina.

Apesar da reacção ao golo do Estrela não se ter feito esperar, com Izmailov a marcar um belo golo a passe de João Moutinho, a primeira parte foi paupérrima, fruto de um futebol lento, num campo muito difícil, pelas suas dimensões e relvado pesado, onde o Sporting demorou a acertar com a táctica do Estrela, que, com os campeões Nelson e Vidigal em campo, acompanhados pelo jovem leão Celestino e pelo brilho do atacante Varela, foi uma equipa mais perigosa e determinada, tendo criado algumas situações perigosas na baliza de Rui Patrício.

Na segunda parte os nossos leões traziam a lição melhor estudada. Sem alterar o modelo de jogo e parecendo que o filme da primeira parte ia continuar, Liedson, marca um excelente golo de cabeça na sequência de um cruzamento de Rochemback. A partir daqui o Sporting soltou-se e começou a controlar completamente o jogo, praticando um futebol mais atractivo e com outra velocidade.

O momento do jogo, que deve ficar retido na memória de toda a família leonina, servindo de exemplo para o resto de uma época que todos desejamos mais tranquila do que até ao presente momento e potenciadora de um espírito de união capaz de nos catapultar para uma dinâmica de vitória, aconteceu quando Simon Vukcevic foi chamado a entrar no jogo. Estou certo que a família Sportinguista apreciou o gesto de Paulo Bento. É um sinal de união e de paz, para o interior do clube, mas sobretudo para o exterior. Foi visível e reconhecida a motivação, confiança e estimulo que o treinador soube dar ao seu atleta. Os verdadeiros homens não são aqueles que não erram, mas aqueles que reconhecem o seu erro.

Vuck soube agradecer à família leonina e a sua estrela brilhou, fazendo o terceiro golo para o Sporting.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Fora de Jogo

Estádio Municipal de Leiria, 3.ª Eliminatória da Taça de Portugal, entre a União Desportiva de Leiria e o Sporting Clube de Portugal. Aos 23 minutos, com o resultado em branco, Polga remata forte à barra, na recarga, Hélder Postiga cabeceia para o fundo das redes adversárias, fazendo o 1.º golo do Sporting, mas Carlos Xistra, árbitro da Associação de Futebol de Castelo Branco decidiu anular o tento por pretenso fora de jogo do atacante leonino, que na verdade, não existiu.

Estádio dos Arcos em Vila do Conde, partida realizada entre o Rio Ave e o Sporting a contar para 7.ª Jornada da Liga Sagres. Por volta do minuto 63 da 2.ª parte, o Sporting ganhava por 1 – 0. Liedson aproveitando a defesa incompleta de Paiva após remate forte de Rochemback, cabeceia para a baliza, mas Jorge Sousa, árbitro da Associação de Futebol do Porto, anula o golo por alegado fora de jogo, que na verdade, não existiu.

Estádio José de Alvalade, 10.ª Jornada da Liga Sagres, o Sporting recebe o Vitoria de Guimarães. Decorriam apenas 2 minutos de jogo, quando Duarte Gomes não assinala grande penalidade de João Alves sobre Izmailov, na sequência de um pontapé de canto. O melhor estava no entanto para vir, quando aos 72 minutos, Helder Postiga, após grande jogada de Pereirinha pela direita, remata para defesa fraca de Nilson, que vai buscar a bola dentro da baliza, sacudindo-a para fora, tentando evitar aquilo que toda a gente viu, menos Duarte Gomes, árbitro da Associação de Futebol de Lisboa.

A única diferença entre esta partida e as outras duas é que desta vez o golo do Sporting não foi anulado por suposto fora de jogo, porque, não restam duvidas de que há muito tempo que o nosso Clube está fora de jogo. Poderia relatar outras situações já ocorridas noutros desafios da Taça de Portugal e da Liga Profissional de Futebol na presente temporada, mas bastam estes 3 exemplos concretos para concluir aquilo que há muito tempo está decretado. O Sporting Clube de Portugal está fora de jogo.

Não era minha intenção, ainda por cima na segunda vez que partilho convosco as minhas ideias sobre o nosso Sporting, abordar a questão da arbitragem, ou do sistema em que ela se insere. Mas torna-se inevitável, especialmente porque a repercussão daquilo que se vai passando está a ser amplamente danosa para o nosso clube.

Não gosto de enveredar pelo discurso de critica aos árbitros. Eles fazem o seu trabalho, que na verdade, não é nada fácil. Os árbitros são peças de um sistema há muito implantado no futebol português. É esse sistema que deve ser criticado, desmontado e anulado, pela ética no desporto, pela verdade desportiva, pelo desenvolvimento educacional e formativo de uma sociedade que se quer saudavelmente competitiva, especialmente no plano desportivo, com regras e valores, com igualdade de oportunidades para todos os intervenientes.

O Sporting, tal como todos os restantes clubes em Portugal, na Europa e no mundo, já foi beneficiado e prejudicado pelas arbitragens. É perfeitamente natural que assim aconteça. Existem erros que se despirmos o fulgor clubista acabamos por considera-los normais. Acontecem em todas as profissões, fazem parte das vicissitudes da própria actividade profissional, acontecerão sempre apesar da evolução do homem e da ciência. Porém, existem erros deliberados, provocados, intencionais, que derivam de um sistema há muito implantado e que apenas servem os interesses de uma determinada oligarquia dominante no plano desportivo nacional.

Esse sistema levou um pequeno abanão, mas não ruiu como deveria ter ruído. É um castelo muito bem construído, cuja ocupação vai alternando, mas que jamais poderá ser ocupado por quem esteja interessado em manter a ética no jogo. Assim, quem está fora de jogo, arrisca-se às consequências nefastas que isso origina, quer no plano desportivo quer no plano financeiro. Ao invés, os ocupantes do castelo vão enchendo os museus de títulos e os cofres de dinheiro, tornando-se consequentemente mais fortes. Tudo gravita à volta disto e foi assim que o sistema se construiu, principalmente desde que as provas europeias passaram a ser cruciais para a gestão financeira dos clubes da envergadura do Sporting e seus directos competidores no plano nacional. As 14 épocas em que o nosso clube se viu privado de aceder à prova milionária, essencial do ponto de vista financeiro para o sucesso desportivo, podem caracterizar-se como o auge desse sistema.

A memória desportiva foi assinaladamente enterrada num célebre jogo realizado no Estádio José de Alvalade entre o Sporting e a Académica de Coimbra. Simbolicamente tentamos dizer que estamos fartos, cansados, frustrados de ver o nosso clube enxovalhado, desonrado e consecutivamente prejudicado, precisamente por não nos revermos no sistema instalado, no qual não queremos participar, mesmo que sejamos convidados a entrar. O Sporting prosseguiu a sua cruzada. Denunciou, apontou, ameaçou, pressionou, tentou de tudo para que o palco principal do desporto nacional não tenha cascas de banana estrategicamente colocadas para que os actores escorreguem no meio da peça.

Hoje o nosso clube parece estar adormecido, quase resignado nessa cruzada. Os adeptos e sócios de uma maneira geral, também se sentem cansados de assistir às situações descritas na primeira parte desta crónica. Já não acreditam e estão desmotivados. Essa é porventura a principal razão e pelos vistos ainda não apontada, para as fracas assistências registadas esta época em Alvalade.

Como disse, os Sportinguistas, não deixaram de amar o seu clube, muito menos de o viver na plenitude. Mas estão cansados de semana após semana verem o resultado do jogo em que o seu clube participa adulterado. A apatia é tanta, que alguns de nós, já nem manifestam veementemente aquilo que se tornou normal em Alvalade. Talvez fosse isso que Paulo Bento quis dizer quando afirmou que precisamos de criar mau ambiente a quem consecutivamente erra em nosso prejuízo.

Mais preocupante é o facto de que neste momento, o único protagonista a contestar o evidente, seja Paulo Bento, na tentativa de proteger e preservar os seus jogadores. Que motivação poderá ter o plantel leonino quando entra em campo a pensar que o seu esforço, talento e golos marcados poderão ser anulados e não reconhecidos no final da partida?

O poder político, como de resto, a sociedade em geral, assiste impávida e serena a esta situação. Condena, lamenta, mas não actua verdadeiramente onde deve actuar. Tudo parece continuar na mesma e é neste estado de coisas, que domingo após domingo, os nossos filhos vão assistindo e verificando que afinal de contas, no desporto tudo vale para ganhar, porque o que interessa é isso mesmo, ganhar, mesmo que de forma desonesta.

O Sporting, deve continuar fora deste jogo, independentemente dos custos que isso continuará a originar para o clube e os Sportinguitas devem estar preparados para isso, porque para nós, nem tudo vale para ganhar. Mas não se deve nem pode demitir de liderar a cruzada para acabar com o mal endémico que prejudica gravemente o desenvolvimento harmonioso do desporto nacional, pela ética, honra e verdade desportiva, sob pena de todos deixarmos de acreditar.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

O prémio de Ronaldo, a Formação e o Sporting.

O prémio ganho por Ronaldo parece-me justo. Dos jogadores que o poderiam receber foi o madeirense aquele que maior destaque teve e, quanto a mim, maior consistência exibiu durante o ano que agora finda. O número de golos marcados em todas as competições é um facto digno de realce, num jogador que joga na sua posição.

Só por má-fé se podem retirar louros à formação do Sporting. É certo que o Ronaldo de hoje não é o que saiu de Alvalade e que a exposição que lhe permite o Manchester United e o campeonato inglês não se compara a que teria por cá. Por isso alcançar tal prémio seria praticamente impossível a Ronaldo caso permanecesse de Leão ao peito . Sendo o exposto verdade também me parece indiscutível que o Ronaldo pelo qual o Manchester se interessou estava bem longe, para melhor, de ser o miúdo franzino e irrequieto que havia saído da Madeira anos antes. No Sporting, e apenas num ano, Ronaldo duplicaria os seus índices físicos, como é relatado na prestigiosa menção que a Uefa recentemente fez à Formação do Sporting. Ronaldo é assim o 3º jogador português a ser galardoado com o prestigioso troféu e o 2º da Formação do Sporting! O facto fala por si e é por isso uma medalha de mérito e de competência para todos os que trabalham naquele departamento. Bom seria que o futebol sénior conseguisse proporcionar níveis de prestígio semelhantes ou aproximados.

Infelizmente as sucessivas grandes colheitas que se alcançam com dedicação e método poucas vezes revertem a favor do futebol profissional. À excepção de Figo, que ainda fez algumas - julgo que 5 - épocas consecutivas no plantel principal, os nossos melhores produtos são “degustados” por outros. Ultimamente, com estranha e vergonhosa frequência, pelos nossos rivais de sempre. Vender cedo e a preferência não exercer não tem dado saúde e não tem feito crescer, poderia ser o ditado a caracterizar as decisões infelizes que ultimamente foram tomadas. E dizer que o retorno dos jogadores seria caro não justifica tudo, porque caros são os Kokes, Gladstones, Buenos e quejandos.

Mas não é só na gestão dos "produtos prémium" que temos falhado. Outros há que veêm abruptamente interrompidos os bons níveis revelados nas camadas jovens aquando da chegada aos seniores, e acabamos por perdê-los e perderem-se. Nesse aspecto temos muito que aprender. O Porto, por exemplo, trata as suas jovens promessas de forma muito cuidada. Começa por ser mais paciente na gestão do tempo de ligação destes jogadores à casa-mãe. Fernando Couto, Bruno Alves e Ricardo Carvalho,voltaram definitivamente já com os 24 anos feitos e depois de rodarem em diversos clubes e campeonatos. Além disso preocupa-se em oferecer boas colocações aos seus jogadores. Os empréstimos são feitos de forma cuidadosa: os salários não são divididos com os clubes receptores em partes iguais. Quanto maior for o tempo de utilização menor é a percentagem a pagar pelo clube que recebe o jogador, em moldes que a titularidade do jogador assegura quase a gratuitidade da sua presença.

É preciso explicar mais? É preciso explicar porque os nossos jogadores, sendo pelo menos tão bons como os outros, têm, em igualdade de circunstâncias, mais dificuldades em conseguir mais tempo de jogo, e por conseguinte afirmar-se? Veja-se quanto tempo tinha Carriço o ano passado no Olhanense e os seus colegas orindos da Invicta. É que, feitas as contas, até a um passado recente, os dividendos revertidos para o clube eram bem superiores aos nossos. Mais uma vez a posição do futebol sénior nesta fotografia não é a mais confortável. A forma como é gerida a entrada dos nossos miúdos na idade adulta não me parece ser a melhor, e exemplos como os de Caiado, Paim e Zezinando, por exemplo, parecem multipilcar-se. Por isso exibir a bandeira da formação tem que, urgentemente, de corresponder a maiores proveitos. Sob pena de andarmos a arrotar o que os outros comem.

P.S.- Confesso que nunca me passou pela cabeça activar a funcionalidade "seguidores do blogue". Mas hoje, antes de postar, dou de caras com um mui ilustre seguidor e vai daí não hesitei. Não deixarei de agradecer aos que se quiserem juntar. Mas ter o Bulhão Pato ali à direita (mesmo que entretanto desista eu já fiz um print-screen para a posteridade...) é para um blogger caloiro como eu o mesmo que ter o Damas a assistir às minhas estiradas nas peladinhas lá na rua onde andava de calções. Vocês compreendem-me, não compreendem?

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Vitória tornada fácil

Um Vitória fácil
Confesso a minha apreensão para o jogo de ontem: vínhamos de um jogo traumatizante e tínhamos pela frente um adversário a precisar de fazer um bom jogo para afastar fantasmas. Às vezes aproveitam-se os jogos com os grandes para dar a volta por cima. Acabou por ser um Vitória fácil que nos ratificou uma vitória sem contestação. A abordagem ao jogo foi aquela que nós, os adeptos, gostamos e até temos o direito de exigir: tentar resolver o mais cedo possível, enquanto há força e discernimento e não deixar para depois o que se deve fazer de imediato. Tornar fácil para que não seja dificil ou impossível. Resultado: 2 golos nos 1ºs 20 minutos, qualquer um deles resultante de boas jogadas.

Ilusionismo
O momento alto do jogo estava reservado para a 2ª parte e contou com encenação a rigor. Com o jogo quase assegurado, o Sporting começou devagar, continuou devagarinho e, quando parecia que ia parar, acelerou de repente e Postiga faz o seu 2º da noite. Percebemos então que tudo era a encenação correcta para o momento da noite: num acto de prestidigitação de alto coturno, querendo, quiçá, rivalizar com outros momentos já vistos e revistos várias vezes em Alvalade, o árbitro assistente faz desaparecer um golo, não levantando a bandeira amarela. Os adeptos do Sporting de repente acordam (alguns literalmente, se o frio não os impediu de tirar um cochilo) e não devem ter dado o seu tempo por mal empregue: uma boa 1ª parte, uma vitória tranquila, e ilusionismo: que mais razões precisamos para ir a Alvalade?...

Vitória colectiva
Não me parece haver necessidade de grandes destaques individuais. Ontem o Sporting valeu pelo seu todo. Saliento no entanto o golo de Postiga, como que a dizer que finalmente alguém percebeu como deve solicitar o 23 e também Liedson. Por falar no Levezinho, é de mim ou ele joga menos com Postiga? Seria uma pena que assim fosse, pois têm tudo para fazer uma boa dupla. Questão de sotaque? Por falar em entendimento, alguém me explica porque joga Romagnoli? Alguém imagina o que faria Moutinho no seu lugar? Para finalizar, digo que gostei de Pereirinha mas, apesar de o melhor jogo que o vi fazer pelo Sporting ter sido naquela posição, aqueles pés têm futebol para muito mais que lateral-direito. Tendo em conta os resultados anteriores para o campeonato em casa e o jogo da passada quarta-feira, perdoa-se o menor fulgor da 2ª parte. Mas não deixa de ser preocupante a tendência que a equipa tem de se refugiar no controlo do jogo, como se a bola, o adversário e até os erros individuais fossem passíveis de ser controlados de forma absoluta.

Ensaio sobre a cegueira
A arbitragem esteve dentro do que lhe é exigido. Exigido não pelos adeptos do futebol mas por quem puxa os cordelinhos da arbitragem. Um penalty escamoteado logo aos 2 minutos, um golo que não foi, porque eles não estão lá para outra coisa, muito menos para enganar ninguém. A mim pelo menos não enganam. Muito menos esse artista português chamado José Lima. Ao lado dele Houdini seria apenas um aprendiz de feiticeiro.