Um ideal

ESFORÇO, DEDICAÇÃO, DEVOÇÃO E GLÓRIA, o lema que fez do Sporting um grande clube, tão grande como os maiores da Europa”

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quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Tudo bem?

“Mais ou menos”. Esta é uma das mais vulgares respostas a cumprimentos em Portugal. Hoje em dia utiliza-se mais a abreviatura desta expressão – Tá-se! – mas em termos de significado é similar. Qual é então o seu significado e o que é que isto tem que ver com o Sporting? Boa pergunta, vou tentar responder.

Tanto pode significar:

Está tudo porreiro, fui promovido, tenho carro novo mas como ainda não acabou o dia e pode acontecer uma desgraça o melhor é não me armar em optimista que ainda me recusam o empréstimo da vivenda que vou comprar;

Como pode significar:

Está tudo mal, contraí 3 estirpes diferentes do vírus da gripe mas não te digo nada porque ainda és capaz de deixar de me cumprimentar no meio da rua, assim como assim se te infectar ao menos tenho companhia nas Infecto-contagiosas.

Quer isto dizer que neste País há dificuldade de assumir posições, é vulgar encontrar em documentos de avaliação de desempenho pelo menos 5 parâmetros Excelente, Bom, Satisfaz, Satisfaz pouco e Medíocre, mas as respostas recaem maioritariamente no Satisfaz, sempre que olho para estes documentos tenho saudades do cantinho direito do impresso dos testes psicotécnicos que preenchi durante a inspecção militar e que tinham como classificação, Bruto ou Razoável, assim sem espinhas nem mais ou menos.

O Sporting anda assim, mais ou menos, não vamos descer de divisão ou ficar em sexto e fora das competições europeias que é a mesma coisa, não nos vão ser retirados 6 pontos por corrupção, os nossos jogadores não são chamados por um estádio inteiro de papoilas saltitantes, o nosso Presidente não diz ambos os dois (o da Direcção que eu do outro não digo nada), a nossa secção de tiro com pedras não foi ao Seixal, os gangs do Bairro Alto ainda não andam com sticks de basebol para o caso de encontrarem o Stoichkov às seis da manhã e até o D’jálo já tem lá em casa duas bolas novas de silicone para treinar.

Por outro lado, também não somos campeões há uma resma de anos, o nosso treinador não foi adjunto do Robson, desde que deixámos de vender putos da Academia nunca mais de lá saiu um modelo marca “Melhor do Mundo”, os clubes Italianos ainda não foram irradiados pela UEFA, o Newcastle já não vai às competições europeias e o filme que dão aos nossos jogadores para os motivar é o “Titanic”. O Paulo Bento anda a estranhar encontrar sempre a “Revolta na Bounty” no DVD do autocarro mas quando pergunta de quem é aquilo ninguém responde, só se ouve o Vuk a comentar com o Caneira, “Quem tem uma grande colecção de filmes náuticos é o Vladan.”, ao que responde um coro de vinte e tal vozes “Cala-te bufo!”

Por vezes dou por mim a pensar se a solução para sair deste mais ou menos não seria falir, abrir bancarrota, todos sabemos que a primeira coisa que acontece numa situação destas é os banqueiros com responsabilidades de gestão fugirem a sete pés (1º problema resolvido);

De seguida até os lugares nos passadiços junto dos holofotes eram vendidos tal a quantidade de Sportinguistas que decidiam no mesmo instante, “Acho que vou ter de voltar a ir ao estádio.” (2º problema resolvido);

Espontaneamente formava-se uma comissão de gestão formada por sócios com tal paixão pelo clube que a primeira medida que tomam é cancelar a publicidade nas camisolas pois não admitem ver o nosso símbolo partilhado (3º problema resolvido);

Como consequência Joaquim Oliveira termina toda e qualquer ligação ao Sporting porque, e cito, “Artdae falhys uhsed a Olivedesportos”, não percebeu pois não, é do charuto, mas seja lá porque razão for o melhor é vê-lo longe de Alvalade (4º problema resolvido);

As vendas de camisolas disparam para recordes mundiais (5º problema resolvido);

Apresentam-se em Alvalade para assumir o comando da equipa de futebol Manuel Fernandes, Augusto Inácio e Oceano (6º problema resolvido);

Fica decidido que formam uma comissão técnica rotativa, para não se andar sempre a criticar o mesmo treinador (7º problema resolvido);

Quem tiver uma derrota paga as cotas dos outros, quem tiver mais de uma vai substituir o Jorge Jesus (8º problema resolvido);

O Jorge Jesus que está em missão de sacrifício naquele local obscuro de Lisboa a que aqueles-que-atiram-calhaus chamam Luz, já tinha declarado em conferência de imprensa após mais um jogo “Tirem-me daqui!” mas recebeu só uma carta a dizer “Tens de continuar o teu trabalho de exterminador, agora já sabes, reintegras o Luis Filipe, e passas a apostar no Mantorras e naquela miúda com nome de ponta de lança dos anos oitenta. Em Novembro tens de dizer que vão jogar o triplo para eles estarem todos rebentados antes do Carnaval. Leva também este pacotinho de trigo roxo pode fazer-te falta...Ah e deixa de sussurrar – Qualquer dia f…-te. – de cada vez que a ave rara poisa na roda da bicicleta porque se percebe nas imagens.” (9º problema resolvido);

O Cristiano Ronaldo, o Quaresma e o Nani, rescindem os seus contratos por falta de condições psicológicas e regressam a casa, são recebidos pelo Manel na Academia que lhes pergunta, “Então o Figo não veio com vocês?”, o CR9 responde com aquele sorriso malandro, “Ach’que está lá fora a armar armadilhas contra anões nojentos não vá algum enganar-se e tentar entrar.” (10º, 11º, 12º, 13º e 14º problemas resolvidos);

Rui Santos é expulso de sócio (15º problema resolvido);

Paulo Bento é contratado pela SIC para substituir Rui Santos depois deste ter sido encontrado num parque de estacionamento da Amadora com um tubo de gel enfiado no…, isto é uma casa do Norte eu até podia dizer mas sei que a vossa imaginação é muito pior que a minha (16º problema resolvido).

Há mais algum problema para resolver? Eh, mais ou menos…

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Era para fazer um post sobre a Selecção mas foi tão mau o jogo que nem consigo

A frase é do meu amigo e editor JVL - escusas de mandar a factura... - e descreve precisamente o que penso sobre o deplorável espectáculo que assisti. É de mim ou não fizeram um passe ao Liedson? Salvou-se o resultado e o facto de Moutinho, Veloso, Patricio terem ficado a conhecer o aeroporto de Budapest sem se cansarem muito para domingo.

Quem tira os caroços e graínhas aos patrocinios?

Uma das tiradas mais silly da season ainda em curso será de certeza a da apresentadora de televisão, Carolina Patrocínio, que tem uma empregada para lhe tirar os caroços e grainhas. Uma facilidade de que o futebol português não se poderá gabar. Pelo contrário, são até mais habituais os caroços difíceis de engolir, a fruta servida pronta a descascar e as cascas de banana.

Os patrocínios estão agora na ordem do dia. Poderá passar despercebida a muita gente a notícia de hoje do Record, mas a nós não. Até porque versa um problema já aqui abordado a 25 de Julho, através de um alerta lançado pelo nosso leitor João Melo, que dizia então, sobre o mesmo tema:

"O futebol português, por força de ser o reflexo de uma sociedade pouco desenvolvida em termos éticos e morais, não pára de nos surpreender pela negativa: a recente decisão do Concelho de Disciplina da FPF a propósito do jogo do campeonato nacional de Juniores é disso um bom exemplo, de tão baixa e inqualificável que é a consequência da decisão do ponto de vista da composição dos valores em presença.
Todavia, venho aqui alertar para outro fenómeno – que não tenho visto comentado em lado algum - igualmente revelador do que é o futebol em Portugal: o sponsor da Liga, financiador do torneio, imagem de marca do evento, é simultaneamente patrocinador de um dos competidores!!!!!!!
Será que o dito sponsor – que investe à espera do respectivo retorno, legitimamente – tem especial interesse no sucesso da marca da concorrência, ou prefere o triunfo da sua? Parece-me óbvia a resposta… Serão estes interesses compatíveis? Deveria ser permitido? Do ponto de vista dos negócios, da ética e da transparência, não!
No futebol português talvez…
Saudações leoninas"
João Melo

Esta semana é a segunda vez que o tema dos patrocínios agita o meio futebolístico nacional. A mais notória das noticias foi a decisão do Tribunal Europeu a dar razão à queixa apresentada pela Santa Casa da Misericórdia contra a publicidade da BWIN. Uma bomba para 11 clubes da nossa Liga, pois a decisão parece vir inviabilizar o actual patrocínio de uma casa concorrente. Se por um lado compreendo as palavras de Herminio Loureiro, presidente da Liga, por outro não percebo como pode ele esquecer-se da sua condição de deputado na Assembleia da Republica. Ou já não é lá que se fazem as leis?

P.S.: Sabiam que o Sporting tinha direitos sobre Cleiton Xavier, o possível substituto de Kaká? Eu não. Muito menos que os tinha perdido...

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Memória e gratidão

Foram conhecidos novos desenvolvimentos no “caso Iordanov”, com o advogado do jogador búlgaro a afirmar que o entendimento é possível. Já quase tudo foi dito sobre mais este triste episódio. Lembraria, depois de já ter aqui escrito sobre isto, que a homenagem é agora obrigatória, e que o Sporting está condenado a pagar 1.000 euros por dia de indemnização, a reverter em partes iguais para o jogador e para o Estado, a contar desde Novembro do ano passado. Em inicio de Julho deste ano o montante ascendia já a 247 mil euros. Agora, mesmo que Iordanov prescinda do que tem direito, metade da verba a apurar terá que ser obrigatoriamente desembolsada em favor do Estado. Está para lá da minha compreensão como se pôde chegar tão longe e que a impunidade seja absoluta, mesmo que, como alegava o clube, também possam ser assacadas responsabilidades ao jogador.

Lembrar este triste episódio obriga-me a perguntar como pode o Sporting, ao longo das últimas décadas, ver sair de actividade e até assistir ao desaparecimento dos seus melhores valores, testemunhos vivos dos dias de glória, sem uma demonstração de gratidão, mesmo que singela. Vem-me à memória o que vimos suceder recentemente com Michel Salgado, num Barnabéu a abarrotar: uma homenagem arrepiante. Quanto fez pela devoção madridista um momento como aquele? Somos Sportinguistas pelo coração e é pelo coração que assim nos manteremos. Não porque somos mais ou ganhamos mais, sem importar como. Quando se apurarem as razões do afastamento de muitos nós, a tal crise de militância de que se volta a falar, a má gestão da nossa memória e a falta de gratidão serão razões incontornáveis nesse apuramento. Porque nos roubaram momentos assim com Damas, Manuel Fernandes, Lopes, Mamede, Livramento, Manuel Marques e muitos outros?

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Em memória de António Ramos

Recebemos o seguinte texto de alguém que conviveu bem de perto com o saudoso António e nos autorizou a publicar esta sentida homenagem.

Hóquei, andebol, futsal, ténis de mesa e bilhar ou memória para António Ramos

Morreu António Ramos, jornalista de «modalidades» que trabalhou nos jornais «Record» e «Sporting». Gostaria de repetir o seu desembaraço quando, na secretária em frente à minha, «despachava» sucessivas notícias sobre os jogos do nosso fim-de-semana desportivo. Como tinha várias modalidades não podia estar em todos os pavilhões ao mesmo tempo mas ninguém ficava sem notícias.
Com alguns telefonemas para a pessoa certa, fosse no ténis de mesa («Amigo Adérito, estamos a ganhar?») fosse no bilhar («Amigo Salgado está tudo bem?») ou fosse no futsal («Amigo Paulinho já acabou?») o António Ramos conseguia sempre dar a notícia em tempo útil. A sua agenda de contactos era um mapa de amizades em todo o país incluindo a Madeira e os Açores.
Muitas vezes apanhámos o mesmo táxi, lá para as duas da madrugada, quando o jornal do Sporting fechava. Trajecto: Telheiras – Campo de Ourique – Bairro Alto. Algumas vezes, noite alta, lhe coloquei perguntas inoportunas («Se são 128 golos no quadro não podem ser 129 na lista dos mercadores») mas nada que não se resolvesse («Tire um golo ao melhor marcador, amigo Zé»).
Tivemos um tempo pleno (1996-2006) em que acamaradámos muito à mesa no Chinês mas há três anos que falávamos menos. Continuávamos porém a compartilhar o mesmo barbeiro aqui no Bairro Alto.
Além do sportinguismo e do amor aos jornais, muita coisa nos unia: a paixão pelos livros e pelos netos. Quando a conversa derivava para aí o António Ramos era um gigante de ternura derramada. Na noite tantas vezes agreste de Lisboa, a sua voz entre Telheiras e Campo de Ourique lembrava sempre as palavras de Tasso – «Tempo perdido é todo aquele que não se gasta em amar».

José do Carmo Francisco

Selecção: As nacionalizações e o PREC

Na Dinamarca a selecção jogou grande parte do seu destino no Campeonato do Mundo de África. Muito dificilmente passará do hall de entrada e, confirmando-se o cenário, espreitaremos pelo ecrã o salão nobre da competição entre selecções. A confirmar-se, será a todos os títulos lamentável que não se tenha conseguido capitalizar a favor das nossas pretensões colectivas a categoria individual de jogadores como Bosingwa, Alves, Carvalho, Pepe, Deco, Ronaldo, Danny, Quaresma, Moutinho, Veloso, Liedson, Nani e Veloso. No contexto do nosso grupo, quem se pode vangloriar de melhor qualidade de recrutamento?

Esta jornada iniciou-se sob o recrudescer da polémica das “nacionalizações” de jogadores, por graça de Liedson. A minha discordância pela sua presença pouco interessa agora face aos precedentes e perante a evidência da lei. E se a língua é a nossa Pátria sem dúvida que percebo melhor Pepe, Deco e Liedson do que Alberto João ou Pauleta, por exemplo. O que me interessa agora é que o recurso à nacionalização de jogadores não faz sentido se deles não for retirado o rendimento que eles prometem. Tendo Queiroz optado por começar a jogar em 4x4x2, não se percebe a titularidade “daquele cujo nome me recuso pronunciar”. Não porque tivesse receio de o ver, escariotes como é, de lágrima no olho, a dizer-se dinamarquês desde pequenino e para todo o sempre, porque os escandinavos nada têm para lhe dar que lhe interesse. Naturalmente e apenas porque Liedson era o melhor jogador do grupo naquele lugar. O mesmo se aplica ao lugar ocupado por Pepe. Veloso seria capaz de igualar a sua capacidade de destruir jogo adversário, ser útil a defender naquela posição e significaria valor acrescentado na hora de gerir a posse de bola e criar jogo. Pelas mesmas razões, isto é, porque é melhor na função, Pepe ficaria melhor que Bruno Alves, que teve um jogo manifestamente abaixo do que é capaz.

Uma divergência temporal entre a minha existência e a presença dos Magriços em Inglaterra fez-me perder a melhor prestação de sempre de uma selecção das quinas. Habituei-me a ver desperdiçado o talento de muitos jogadores nos finais de 70 do século passado. Platini arruinou-me um S.João, Humberto fez-me sonhar, Oliveira quase era capaz do melhor como foi do pior. Ser 2º em casa era bom antes de começar, mas soube a pouco, face às circunstâncias. Ou seja, já vi de tudo e por isso estou preparado para este Processo de Regressão em Curso (PREC). Voltamos às contas, mas sobretudo aos “ses”. Queirós fala de falta de sorte ignorando que esta não quer nada com a incompetência. Se o futebol fosse apenas falado, seríamos, pelos predicados do seleccionador, candidatos a campeões do Mundo. Mas é preciso muito mais que bonitas palavras e ter o melhor do Mundo não parece suficiente. Até porque, de quinas ao peito, Ronaldo não tem sido mais do que uma ilha, deserta no seu egocentrismo. Jogamos bem contra os Dinamarqueses? Não o suficiente. Um bom cozinheiro não recebe prémios se se esquecer ou não acertar nos temperos. Na hora de por o sal - os golos- a selecção nunca foi competente. Sem golos não há bom futebol, no máximo veremos um bom número de circo.

Hoje, para descobrir o caminho para o Mundial da África do Sul, já não basta matar o nosso atávico adamastor futebolistico, é preciso contar com erros de terceiros. O que pensarão de tudo isto os nossos milhares de compatriotas, muitos deles conterrâneos de Ronaldo, a viver o mais a sul no continente africano? Na terra da Boa Esperança, a nossa ausência será, pelo menos, um desencontro com a História.

sábado, 5 de setembro de 2009

Até Sempre António Ramos

"Boa tarde a passada no Casal Vistoso a ver o futsal e o andebol, com uma presença muito agradável de público.

Um senão, a morte hoje do nosso jornalista António Ramos, um grande companheiro meu de muitas jornadas leoninas e um LEÃO indomável.

Do ténis de mesa aos meninos do hóquei, passando pelo andebol, futsal e bilhar, o António escrevia de tudo para o jornal do nosso Clube.

Hoje estou triste pela partida do António Ramos, mas parafraseando o António Oliveira, "por cada Leão que cai outro se levantará".

Até sempre amigo!"

Aproveitei um comentário do Juvenal para homenagear esta figura leonina que ainda tive o privilégio de conhecer nos cenários ecléticos do Sporting.

Um excelente profissional, um grande sportinguista e um verdadeiro senhor do jornalismo desportivo.

Até Sempre António Ramos!