Um ideal

ESFORÇO, DEDICAÇÃO, DEVOÇÃO E GLÓRIA, o lema que fez do Sporting um grande clube, tão grande como os maiores da Europa”

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quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Estabilidade ou liderança?

Durante muito tempo defendi que o silêncio do director desportivo era excessivo, deixando adensar os psicodramas diariamente expostos na imprensa. Ontem ficou evidente que Barbosa geriu mal o seu tempo e, quando finalmente veio a terreiro, já nada do que disse realmente interessava. O barulho à volta da equipa é demasiado grande e as palavras de Barbosa diluíram-se no ruído.

É cada vez mais difícil interpretar os sinais que se recebem do interior do Dep. de futebol do Sporting. Onde uns vêm a mão de ferro de Paulo Bento outros entendem que finalmente existe alguém com coragem de confrontar os jogadores com tiques de primadonnas. Eu duvido que essa seja uma guerra que mereça ser disputada e que até possa ser vencida. Tradicionalmente o jogador quer jogar sempre e acha-se mais merecedor da titularidade do que os seus pares. E onde se sente mais à-vontade é no seu ambiente natural, entre o relvado e o balneário e não em reuniões de gabinetes ou à frente de microfones. Se dúvidas houvesse basta ver a reincidente falta de senso ou até de inteligência de Moutinho. Depois de ter dito que queria sair veio agora dizer que não sabe se entraria ou não no SLB. Por muito que Barbosa se esforce em decretar o arquivamento, este assunto não é nem pode ser esquecido com facilidade pelos sportinguistas. Coincidentemente ou não, desde que Moutinho preferiu falar para os microfones parece ter perdido o jeito de falar com os pés.

Se Barbosa não percebe porque se ganha e as assistências descem talvez seja melhor interrogar-se se, para lá da qualidade do jogo e dos troféus conquistados, a acção e discurso do treinador e dos dirigentes e a postura da equipa correspondem ao que os adeptos deles esperam.

Por muito que se queira bater nos jornalistas que publicam inverdades não foram eles que transformaram a ausência de Vukcevic de opção técnica em falta de aplicação nos treinos, metendo pelo meio um desmentido público de Miguel Ribeiro Telles. Por isso se Veloso e Djaló tiverem sido afastados por razões disciplinares ninguém poderá estranhar. Por muito que custe, são as intervenções fora de tempo ou a falta delas que põe tinta nas parangonas dos jornais. Se isto é estabilidade eu digo que o que nós precisamos acima de tudo é de liderança! Liderança na SAD, no balneário e em campo.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Crise? Qual crise?

Contas de cabeça

Fazendo uma comparação com os jogos realizados até ao momento com os mesmos adversários o ano passado chega-se à conclusão que ganhámos 3 pontos em relação ao Braga do ano passado, mantivemos o mesmo número de pontos obtidos com o Belenenses (3) e perdemos com o SLB (1), com o FCP (3) e com o Paços de Ferreira (2). Fica de fora a apreciação ao trofense por este se ter estreado esta época. Se juntarmos a esta derrapagem o facto de em 18 pontos possíveis conquistamos apenas 10, ficamos com uns sofríveis 55, 55 % de pontos conquistados. Mantendo a actual média chegaremos ao final do campeonato com aproximadamente 50 pontos. Na classificação do ano passado, após uma época sofrível, fizemos 55 pontos. Com os dito 50 ficaríamos não em 2º mas em 4º. É preciso dizer mais? Para o nosso treinador os jogos nunca são decisivos mas que faltam no farão no futuro os 8 pontos ora desperdiçados? Fossem as exibições mais prometedoras e estes números não seriam preocupantes. Assim, o que vemos é a possibilidade de entre o S. Martinho e o Natal já só estarmos a pensar em taças, correndo bem.

De desperdicio em desperdicio

Desperdiçámos já a vantagem que nos atribuíam por sermos o plantel que privilegiou a estabilidade. Mas esta só nos trouxe até agora a continuação da mediocridade que reinou o ano passado. Somamos a isso os casos e as tricas de balneário. O que prova talvez que estejamos a precisar mais de uma rotura do que desta estabilidade pantanosa. A rotura não tem que ser feita com a exclusão de ninguém, pelo menos numa 1º fase. Mas tem que se fazer um corte abrupto nas posturas táctica, anímica e até individual que, comprovadamente, não nos levam a lado nenhum.

De equívoco e equívoco

Como li algures na blogosfera, uma equipa que se dá ao luxo de jogar mal para os seus adeptos tem a obrigação de ganhar. Senão que sentido faz? Por isso pouco ou nada bati na paupérrima exibição de Donetsk. Mas em Paços de Ferreira jogamos contra a pior defesa do campeonato e deixámo-la inviolada. A 1ª vez esta época. Cometemos o equívoco de tentar jogar directo, obrigando os nossos avançados de média estatura a dar as costas a defesas possantes, anulando assim a vantagem que nos distinguia favoravelmente. O Paços passou a maior parte da sua vida a jogar assim pelos pelados deste País. Está-lhe no sangue.

Uma questão de estofo

Foi pena que não aproveitassem a viagem à capital do móvel para mandar estofar os bancos do autocarro. É que a actual estofagem não é digna de nela se assentarem campeões. Ou então a equipa tem os estofos que merece. Equipa que se diz candidata ao título não desperdiça as poucas oportunidades que surgem para igualar ou ultrapassar os adversários.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

NO ENTANTO ELA MOVE-SE...

Vivemos num período singular da nossa história: desde a década de 70 do século transacto que o clube não ganhava com tanta frequência como tem sucedido na presente década e, apesar disso, os sportinguistas não andam felizes.

São mais que muitas as razões que podem ser apontadas para tamanha insatisfação, que alguns até apelidam de ingratidão para com a actual Administração da S. A. D. bem como para com Paulo Bento. Da minha parte fica o devido respeito por quem se dedica ao clube e ao trabalho, como por exemplo Paulo Bento e os jogadores que fizeram com que o clube alcançasse a sua 5ª vitória fora na Liga dos Campeões. Leram bem: 5ª vitória fora.

A admiração, essa, é que tarda em chegar. Essa consegue-se com outros níveis exibicionais. Os actuais, além de não encantarem, deixam-nos de respiração suspensa, sempre à espera do pior, que podia ter acontecido na Ucrânia, tal com aconteceu recentemente com os nossos adversários directos na Liga Sagres. Liedson é o único capaz da sublimação, que o retira da vulgaridade reinante.

É isso que nos traz o descontentamento: estamos mais perto da mediocridade do que da excelência. Não somos tão bons como julgávamos poder ser, entrados que estamos na 3ª época com o mesmo treinador e depois dos “tais” investimentos cirúrgicos, que, vistos hoje, mais parecem transplantes rejeitados. Rochemback veio para ser trinco? Veloso foi em Donetsk a 4ª solução para a esquerda defensiva, Abel não melhora, as 3 jogadas por jogo de Romagnoli são insuficentes, Moutinho faz 3 posições num jogo quando deveria fazer 3 jogos na mesma posição, pelo menos.

No entanto a equipa ganhou e ficou a uma vitória em casa com o Shaktar para conseguir os pontos e os contos que tanto necessita e que darão um apuramento inédito. “No entanto ela move-se”. E quando se constata isso é cedo para acender a fogueira. Por que de facto ela move-se, mesmo que desajeitada e sem graça. Esta equipa dá-nos de comer mas não nos mata a fome.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

FALTA POUCO PARA SABER

Por ironia do destino quis a sorte que os 2 melhores clubes dos últimos 3 anos em Portugal medissem forças com as 2 equipas mais representativas da Ucrânia. O 1º dos 4 embates foi ontem, com o resultado que se conhece. Sendo a Ucrânia um dos nossos adversários directos na disputa dos melhores lugares do Ranking da Uefa, os efeitos dos resultados alcançados nestes 4 jogos estender-se-ão muito para lá da possibilidade de termos ou não clubes portugueses na fase seguinte da presente edição da Champions League.

Hoje em Donetsk o Sporting decidirá uma percentagem muito grande do seu destino nesta edição Champions League. Quando se analisa o adversário de logo, percebe-se que só com um infundado optimismo ou até uma irresponsável superficialidade na análise se poderá afirmar que os 2 jogos com os ucranianos são para ganhar de caras. Quem o faz não viu o jogo com os catalães. Pois, e nós não temos nenhum Messi.

Objectivamente se constata que em Donetsk há muito dinheiro para gastar. Por isso o seu técnico é reputado e com curriculum consagrado por conquistas de campeonatos nacionais – é tri-campeão com o Shaktar – e internacionais, onde ostenta uma invejável Supertaça Europeia, conquistada no improvável Galatasaray, ante o Real Madrid. É esse desafogo financeiro que lhe permite contratar excelentes sul-americanos, na sua maioria brasileiros. Consegue estender o seu campo de recrutamento aos seus vizinhos eslavos. Juntando a isto tudo, tem uma falange de apoio entusiástica, como logo a equipa do Sporting irá constatar mal saia para aquecimento.

Dito isto, fica claro que não é tarefa fácil a que espera a equipa do Sporting. É necessário, para que a viagem à Ucrânia não seja torne numa viagem tipo peixe-espada - chata, comprida e negra – que haja grande acerto nas opções tácticas, jogando forte nas opções seguramente comprovadas e abdicando de aventureirismos tácticos, semelhantes ao que se viu contra o FCP. É também necessário que os jogadores se entreguem abnegadamente ao colectivo e sejam solidários. Que a equipa tenha a humildade de saber sofrer, sem tiques masoquistas. E que saiba responder sem tendências sádicas estéreis, preferindo o instinto matador. Uma equipa como Shaktar, que em casa tem que procurar a vitória, terá que, ao puxar a manta para a frente, destapar um bocado a cabeça. São estes os jogos que os jogadores gostam. E estas oportunidades são águas que não passam 2 vezes por debaixo da mesma ponte.

O jogo de logo à noite dir-nos-á muito do que é realmente este Sporting 2007-08. Falta pouco para o sabermos.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

AFORISMOS

Gosto de ditados populares. Eles espelham o saber empírico que resulta da observação dos factos ou fenómenos e da passagem geracional do conhecimento adquirido. Não lhes deve ser conferido valor cientifico por razões óbvias, mas quando um acontecimento se enquadra num ditado popular, na maioria das ocasiões aquele acaba por vingar.

O que torto nasce tarde ou nunca endireita.

E tem sido assim a época de Vukcevic. Quando parecia que o caminho para a normalidade estava desimpedido, eis que um arrealiador estado febril devolve o jogador às primeiras páginas e aos caminhos tortuosos e pouco claros da especulação. Interessa-me pouco o que não posso comprovar e por isso o que me parece importante neste caso é saber porque jogou o jogador em Lecce, Itália, e acaba por fazer a viagem de regresso com a sua selecção para a remota Podgorica quando podia ter embarcado no dia seguinte para Lisboa. É igualmente preocupante que o treinador principal diga que acredita nas palavras do jogador e a seguir se desminta a si próprio admitindo que não é espião. Para que é necessário um espião quando se confia? Desajustadas a um capitão também me parecem as palavras de Moutinho. Não tem ele outras fontes de informação que um vulgar adepto como eu? Bem pode Miguel Ribeiro Telles desmentir a existência de um caso. Para os adeptos é estranho que um jogador como Vukcevic quase não jogue pelo clube que lhe paga e o faça pela selecção. Tal com Stojkovic. 2 casos que se arrastaram da época transacta e que uma vez entortados dificilmente endireitarão. Pelo menos acautelando os interesses do clube.

Junta aos bons e serás como eles.

Desde o final da semana passada que este espaço é membro do projecto Futebol Magazine. Num momento em que muitos não se revêem na imprensa tradicional, deve ser saudado o surgimento de um espaço aglutinador das diferentes sensibilidades, identificadas de forma descomprometida, e aberta de forma efectiva ao contraditório. Integrar este projecto é uma honra e representa a esperança de que o ditado se cumpra: poder ser tão bom como os melhores, que antes de mim, fundaram o Futebol Magazine.

domingo, 19 de outubro de 2008

Assim tão devagar não se vai longe!

Desta vez o calendário foi favorável, tendo em conta as circunstâncias: nada melhor do que um jogo de Taça, com um adversário do escalão inferior, para recuperar de 2 desaires que deixaram marcas na auto-estima dos adeptos e na relação destes com a equipa.

O adversário

Ocupando um modesto 13º lugar, com um saldo negativo de 1 vitória, 2 empates, 2 derrotas e um 3-4 de golos marcados e sofridos, o U. Leiria era o adversário ideal para o cenário pretendido. Paulo Alves tem um grande desafio pela frente, que é integrar um enorme lote de novos jogadores e simultaneamente pontuar, para justificar as pretensões de regresso ao escalão maior. Não será fácil e Bartolomeu não é conhecido pela sua temperança. Os leirienses estão a entrar num processo de credibilização da sua existência, tendo em conta os desafios que se lhes colacam. Ou deixam à evidência que têm vivido ligados a uma máquina de suporte de vida constituída pelos desmesurados apoios da autarquia mais a teimosia do seu truculento presidente.

O Sporting

Apresentando-se no seu 4x4x2 habitual, Paulo Bento aproveitou para rodar Tiago e Pedro Silva, descansando Rochemback. A titularidade de Liedson é um acontecimento natural, tal como me parece ser nesta altura a companhia de Postiga no ataque. Pareceu-me correcta a insistência em Grimi, depois do sucedido no último jogo. Paulo Bento proibiu os jogadores de pensar em ucraniano mas ele fê-lo, justificadamente. Rochemback e Abel precisavam de uma pausa por razões diferentes, Liedson de minutos com Postiga, Grimi de confiança, Polga de aquilatar as mossas da lesão. Parecia-me ser um bom jogo para Pereirinha.

O jogo

Já vi jogos amigáveis com maior intensidade. Um Leiria simpático com o seu visitante deu de caras com um Sporting parcimonioso com o anfitrião. Paulo Bento achou que a equipa jogou bem, eu diria que jogou demasiado devagar para errar muito e o adversário não lhe colocou problemas. Eu também faço números de malabarismo bonitos com apenas um ovo na mão, mas se forem 2 ou mais e tiver que aumentar a velocidade as coisas não são bonitas de ver. A lentidão de processos foi o principal pecado e quem televisionou o jogo poderia ser levado a pensar que estava a ver a partida em slow-motion. Percebo que 2 derrotas podem afectar a confiança dos jogadores, e isso até se possa reflectir na forma de ligar os lances entre os diversos sectores. Mais difícil é perceber que os jogadores abdiquem de pressionar o adversário e em muitos momentos o deixem espreguiçar pelo relvado, mais ainda quando este nem parece disposto ou não tem armas para fazer melhor do que isso. Paulo Bento bem pode urdir as tácticas que quiser, mas se os jogadores encararem os jogos com a mesma exigência de um treino, as coisas dificilmente melhorarão. Como apontamentos individuais ficam-me na retina uma evolução na continuidade no desacerto de Grimi, bem como o apagamento de Moutinho. Pedro Silva não comprometeu e, com mais ritmo, não fará pior do que Abel tem feito em alguns jogos.

O melhor

Um jogo como estes não poderia nunca resolver os problemas que mais afligem o Sporting. Mas poderia ajudar. Gostava de acreditar que pelo menos a vitória servirá para dar alento à equipa mas a forma como foi conseguida parece-me indicar que tudo ficará na mesma. O regresso de Liedson neste quadro mais não é mais que um xarope para a tosse para um paciente que indicia um quadro mais preocupante. A entrada de um jogador num processo colectivo emperrado ajuda se o jogador tiver o nível do Levezinho, mas não resolve. O melhor foi mesmo o apito final do árbitro. Passado 5 minutos nem me lembrava que o Sporting tinha jogado.

O pior

Os árbitros assistentes não estavam ali para brincar e levaram tudo muito a sério. Fizerem o que puderam enquanto puderam. Se dependesse deles o golo de Liedson às tantas não tinha acontecido. Eram bem capazes de marcar a falta que precedeu o regresso do Levezinho ao balançar das redes.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

O sargento Queiroz

Há indivíduos que são avaliados mais pela enorme sombra que projectam do que pelo seu real tamanho. Queiroz é um deles. A sua silhueta é constantemente ampliada pelos holofotes de uma imprensa invulgarmente benévola para quem pouco conseguiu desde que abandonou as selecções jovens.

Quem nasceu para ser um bom sargento não tem que ser um mau general. Queiroz pode ser bom a planificar, a descobrir novos valores e a prepará-los para o jogo, como o fazem os míticos sargentos nos filmes de Hollywood. Mas na hora de dispor as tropas no terreno é um general pouco esclarecido e esclarecedor. Foi isso que se viu ontem em Braga, é disso que nos lembra a sua passagem por Alvalade.

Confesso que via na continentalização do futebol do Manchester, que os alcandorou às recentes conquistas, o dedo do professor. Esperava eu que a companhia de Ferguson lhe tivesse feito bem. Mas parece que ele não nasceu para aprender, para ouvir. Nasceu para ser escutado.