Um ideal

ESFORÇO, DEDICAÇÃO, DEVOÇÃO E GLÓRIA, o lema que fez do Sporting um grande clube, tão grande como os maiores da Europa”

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terça-feira, 31 de março de 2009

A ruína do Carlos Lopes

É uma vergonha nacional o estado de degradação e abandono a que votaram o Pav. Carlos Lopes. Construção datada do inicio do século XX, foi rebaptizado com o nome do nosso imortal campeão, homenageando a conquista da 1ª medalha de ouro em jogos Olímpicos. Esta vergonha não deixa de nos contaminar. Como clube de sempre de Carlos Lopes, temos obrigação de zelar pela sua imagem e memória dos seus feitos.

O governo e a C.M. Lisboa decidiram destinar o espaço ao museu nacional do desporto. Esta medida está longe de ser consensual, se atentarmos à necessidade de espaços para a prática desportiva, e ainda por cima com o historial que o Pavilhão encerra. Não terá sido por acaso que foi lançada uma petição online, em 2008, para a manutenção da prática desportiva no local. Esse destino seria uma justa homenagem a um campeão que se notabilizou pela superação e o esforço quer nos melhores tartans do mundo quer na lama das pistas de corta-mato. A transformação em museu pode devolver dignidade ao edifício, mas será como embalsamar Carlos Lopes em vida.

O Pav. Carlos Lopes dista menos de 7km do Estádio de Alvalade é bem servido de transportes públicos ou parques de estacionamento. Existem verbas devidas pela concessionária da zona de jogo do Estoril, pela exploração do Casino de Lisboa, destinados expressamente à recuperação do imóvel. Um bom projecto de recuperação, aliciante para um arquitecto, que incluísse a criação de salas adjacentes de forma a que as diversas secções das modalidades aí pudessem treinar, ficando o edifício central destinado aos jogos oficiais, Assembleias Gerais, Congresso, etc., poderia ser a uma boa alternativa ao “empalhamento” que lhe parece ser o destino museológico. A utilização diária deste espaço, de largo espectro horário, seria uma mais-valia social para um local hoje afectado a práticas menos recomendáveis e é um argumento de peso para a requalificação de um espaço a que dificilmente um museu pode se pode opor. Há força e vontade para lutar por isso?

P.S.- Este post é dedicado ao meu amigo LT, fervoroso adepto do ecletismo no nosso clube, e que agora está entregue aos encantos babados da paternidade. Prometi-o num jogo que vimos juntos e onde falámos, durante 2 horas, do …Sporting. Pensei que a minha ideia era original, mas encontrei isto numa pesquisa que fiz para documentar o tema. Fico contente, contrariamente ao que podiam supor, por sentir que há muitos Sportinguistas a procurar soluções para o clube. Eu serei apenas um aprendiz. (foto gentilmente roubada em http://suggia.weblog.com.pt/).

segunda-feira, 30 de março de 2009

A vida é feita de pequenos nadas II

É perplexo que vos escrevo. Para que serviu afinal o Congresso? A primeira conclusão definitiva é que a sua realização acantonou ainda mais as tendências divergentes no seio do Clube. O que é que, em todo este processo, foi acontecimento genuíno de reflexão e estruturação de um clube, ou, tão-somente, estratégia delineada para impor um modelo de administração? Veremos adiante qual a prioridade dada às recomendações do Congresso em sede de A.G e saberemos a resposta.

Se a segunda hipótese se confirmar tenho que dar os meus parabéns a FSF. Os Sportinguistas subestimaram a sua capacidade estratégica. Tem pelo menos um mérito: tentar governar segundo o modelo em que acredita. Se é isto que está a acontecer, os Sportinguistas poderão ficar “descansados” que não ficará deserta a candidatura à presidência do Clube. A estratégia estaria incompleta de este “pormaior” tivesse sido esquecido.

Há quem diga que não existe oposição credível e que esta é desorganizada. Também sou tentado a pensar isso muitas vezes. Não tenho dúvidas que está dispersa e não fala entre si. Mas com a informação constantemente sonegada, com um tratamento de segunda, quem consegue estruturar um programa alternativo? Espero porém, que nunca tenham razão nos seus piores vaticínios. Não podemos dizer depois que não fomos avisados.

Não termino sem dizer que a não candidatura de Bettencour nos deve fazer reflectir a todos sobre a necessidade de remunerar os cargos dirigentes. Um clube e SAD com um orçamento como o do Sporting e com um passivo de mais 250 milhões (quando saberemos o número exacto?) não pode ser governado por qualquer um. Neste momento os cargos directivos apenas estão acessíveis a sportinguistas abastados, reformados ou desempregados, ou como diz JEB, inconscientes.

domingo, 29 de março de 2009

A vida é feita de pequenos nadas

Mesmo com o testemunho credível de Virgilio Bernardino e do JG, os momentos mais marcantes para quem esteve fora do Congresso não são animadores. É preciso não esquecer o carácter não vinculativo das propostas aprovadas, que carecem de aprovação em A.G. Haverá força para chegar aos 75% que algumas requerem? É real o risco de o Congresso se tornar um grande nada?

1- Mesmo tendo em conta que Santarém não era lugar para tratar de candidaturas, a auto-exclusão de Bettencour não pode deixar de constituir uma nota negativa. Há muito Sportinguista que o tinha como capaz de congregar vontades dispersas. E as suas palavras obrigam a reflectir: “Porque isto não é para qualquer um. E quando ouço falar em certos nomes, sinceramente com todo o respeito, acho que preferia ser inconsciente. Porque os inconscientes abraçam tudo e as pessoas com algum sentido de responsabilidade pensam um bocadinho mais nas coisas. Portanto, eu gostava que houvesse menos nomes, e que houvesse pessoas a fazer melhor as continhas, a pensar melhor nas propostas antes de as fazer, porque isto quando se pensa ser alternativa é uma coisa, mandar bocas é outra. A maioria silenciosa começa a não achar muita graça à 'secção só bocas”.

2-Há mais quem pense que o Congresso se destinava ao beija-mão. Afinal Dias da Cunha tinha razão? Abrantes Mendes não gostou do voto de louvor proposto por Paulo Abreu, para o CD, a Comissão Organizadora e aos congressistas. Não tendo assistido à reunião, mesmo assim pergunto: se não gostou, porque não votou contra?

3- Para quem não teve oportunidade de ir ao Congresso, a blogosfera foi o único meio para aferir o decorrer dos trabalhos. Ao encerramento dos trabalhos deveria ter correspondido uma conferência de imprensa que informassem os Sportinguistas dos resultados dos trabalhos. O mesmo deveria ter ocorrido no final de sábado, fazendo o balanço do 1º dia. Ao encerramento sucederam-se declarações dispersas e informais aos órgãos de comunicação social, o que não me parece a melhor forma de dignificar o trabalho realizado e de o comunicar aos Sportinguistas espalhados pelo mundo. O pequeno texto no site do clube significa, em relação ao evento, falta de tempo ou o real valor do evento?

O futuro e o passado

Decorre este fim de semana o VIII Congresso Leonino. Sigo com atenção, na medida do possível, o que se vai passando em Santarém, na esperança de que independentemente das propostas votadas, o SCP saía mais forte e unido. Que os participantes coloquem os interesses pessoais de parte e coloquem, como deveria ser regra, os do Clube em primeiro lugar.

Li ontem que Ernesto Ferreira da Silva propõe que a periodicidade deste evento passe a ser de 5 em 5 anos, ao contrário dos actuais 2. Tendo em conta que o último foi há 13 anos, será que o próximo será em 2045? Fico com a sensação que discutir o SCP com os "outros", os não "notáveis" é uma maçada.
São eventos destes que permitem aos adeptos - perdão aos sócios - sentirem-se parte integrante da vida do SCP, para além da ida aos jogos. Onde é possível contribuir com propostas ao invés de "apenas" darem o seu aval ou não às formuladas pelo Conselho Directivo.
Quanto mais não seja por este aspecto acho positiva a sua realização. Se algo será posto em prática ou não, dependerá da Direcção. Ficam no entanto a saber que a construção do pavilhão é considerada imprescindível por parte dos Sportinguistas.

Falando agora um pouco de futebol, e traçando um paralelismo entre o que se passa actualmente com a Selecção Nacional, espero sinceramente que não façamos como esta, ou seja, que voltemos ao passado. Apesar de não ter achado o jogo de ontem nada de extraordinário - uma confusão gritante no último terço do terreno - foi principalmente o jogo com a Dinamarca que me trouxe à memória o modo como éramos conhecidos na Europa - a melhor equipa do Mundo a jogar sem balizas.
Julgo que a maioria dos Sportinguistas não quer voltar ao tempo em que éramos os vencedores morais dos campeonatos. Se ainda fossem preciso mais provas, basta ver as reacções à final da Taça da Liga. Era a Taça que não valia nada, é o SCP que tem é que conquistar campeonatos e não Taças, que temos é que dar espectáculo, etc etc. Balelas. E nem o argumento de que a perdemos, e da forma que foi, para o rival histórico me convence. Porque se as Taças não interessassem, a reacção não teria sido a que foi.

Como diz o filipe do blog "jogodirecto":

"Não quer isto dizer que eu seja partidário de filosofias de jogo utópicas ou que não tenham na vitória o seu propósito principal. Como já aqui muitas vezes defendi, para que o futebol seja respeitado cada equipa deve dar prioridade àquele que é o seu principal propósito enquanto jogo, ganhar."

O SCP tem é que ganhar e de uma forma consistente. O SCP tem como principal objectivo a conquista das provas nas quais participa e não entreter ou dar espectáculo.
Claro que prefiro ver um excelente espectáculo e ganhar mas tendo que optar por um, opto imediatamente pelo resultado.

Volto à Selecção - dificilmente nos qualificaremos para o Campeonato do Mundo. A acontecer isso, de que se lembrarão os adeptos? Será de que não participámos ou que jogámos um futebol espectacular e que se houvesse justiça no futebol estaríamos lá? Pois.

sexta-feira, 27 de março de 2009

Congresso: a oportunidade imperdível.

Começa hoje o VIII Congresso Leonino. Importam pouco agora as discussões sobre a sua oportunidade ou as virtudes e limitações do modelo seguido. Concentremo-nos nos proventos que dele possam vir a ser retirados, façamos vingar a oportunidade. Adaptando uma prece conhecida desejo que os congressistas tenham coragem para mudar aquilo que pode ser mudado; serenidade para aceitar o que não pode ser mudado, e sabedoria para entender a diferença. Sobretudo não desperdicem a oportunidade.

A realidade onde o Sporting se insere desafia o clube a, simultaneamente, tornar-se sustentável financeiramente sem perder a sua competitividade desportiva, bem como a alargar a sua base de apoio social, sem perder a actual. Estamos pelo menos de acordo que é preciso mudar. Façamos disso, juntamente com o amor pelo clube, o ponto de partida. A música que se segue pode ser inspiradora: o original de Sam Cooke foi já objecto de várias interpretações, de Patti Labelle a Billy Preston, passando por Bob Dylan até chegar a Seal. Saibamos nós interpretar o novo Sporting sem abdicar da sua identidade.

PS: Este blogue não está representado no Congresso por impossibilidade diversas dos seus editores. Pessoalmente confio nos Sportinguistas presentes, em particular nos amigos deste espaço, como JG do Rugido Leonino ou no Virgilio Bernardino do Capicua101.

Há uma nova leoazinha pronta para fazer um pai feliz!

" Daqui a 10 anos, a minha filha que nasceu ontem, dia 25 de Março quer ver o Sporting campeão e o pai feliz." (Leão Transmontano).

Caro LT, que o teu rebento seja cumulada de saúde e graças e te encha de orgulho. Os meus parabéns aos pais babados. E que a profecia se cumpra daqui a 10 anos e muitas vezes antes de estes se completarem.

quinta-feira, 26 de março de 2009

Armageddon by Dias da Cunha

"Se isto for levado por diante e os sócios não se opuserem, o Sporting, daqui por 10 anos, já não existe. E estou a ser optimista." O autor da frase é Dias da Cunha, referindo-se ao plano de reestruturação financeira do Conselho Directivo, liderado por Soares Franco, que fora seu vice-presidente.

"Desprezo totalmente essa encenação a que chamaram congresso. Não passa de um beija-mão real para prestar vénias ao presidente por quem não tenho a mínima consideração". Sobre o Congresso. Pode ser lido na íntegra aqui.

Pergunto eu se faz sentido aqui aplicar-se aquele ditado "zangam-se as comadres..." ou se as noticias da morte do Sporting são manifestamente exageradas. Uma boa discussão em vista.