O futebol do Sporting vive sob o signo de uma dieta apertada, em que na, maioria das ocasiões, é servido sob a forma de uma canja desenxabida: os golos são poucos, as exibições quando não são medonhas (Paços de Ferreira, Leixões) são frustrantes ou sensaboronas (quase todos os jogos restantes). De vez em quando a esquálida sopa vem acompanhada de um filete de mortadela rançoso (a eliminatória da Taça foi bem jogada, mas perdida) ou um bife de 2ª (a vitória na Supertaça). Filé mignon? Já lá vão tantos anos, que a maior parte dos sportinguistas já nem se deve lembrar da textura ou do sabor.
É esta a dieta que Paulo Bento nos serve, invariavelmente, há quase 4 anos. Passado todo este tempo a ementa permanece igual. E os sportinguistas se não gostam, comem calados e quase nem protestam. Dizem que dantes não se comia e, apavorados com a peste e a fome que alguns dizem que se instalará a seguir, preferem manter o pouco mas certo de Paulo Bento. O medo de ousar mudar parece ter-se instalado. Os sportinguistas parecem temer uma crise intestinal se lhes derem algo mais condimentado que este futebolzinho tipo pãozinho sem sal.
Chegados ao Natal, resta-nos um bolo-rei com mais favas que frutas secas ou cristalizadas. E para brindar, temos que olhar para cima da prateleira e ver uma das piores colheitas de vinho do porto dos últimos anos e a qual nem mesmo assim conseguimos alcançar. Até a canja de galinha nos é demasiado onerosa.
Enquanto isso Pedro Barbosa, fintando a realidade com a mesma mestria com que fazia de falso lento, vem com a conversa habitual para entreter sportinguistas: o que poderia o homem dizer: que o objectivo é ser campeão europeu? Ou vencer a Taça da Liga?
Já agora digam-me qual é o medo de ouvir os sportinguistas? Mais importante que a presença desta ou daquela individualidade é a reflexão que o clube necessita.

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