Tive um carro em tempos. Não tinha sido uma pechincha e cumpria bem o que dele esperava. Era então um recém-encartado e de carros sabia o mais importante: os que os tinham safavam-se melhor do que os outros. Um dia o gajo não pegou de manhã. Chamei o mecânico e o veículo acabou por fazer uma humilhante viagem em cima do reboque. Uma vez na oficina pegou à primeira, como deve acontecer sempre a qualquer topo de gama, que ele não era.
Quebrou-se ali a minha relação de confiança com o bicho, agravada por rumores pouco abonatórios para a fiabilidade da marca. De tanto me avisarem da minha má opção, comecei a achar que o carro adornava em demasia nas curvas, perdendo a direcção. Despachei-o à pressa para um “caridoso” amigo. Perdi algum dinheiro, que me deu para adquirir um carro mais barato e pior. Não dava tanto nas vistas, tinha uma cor desmaiada, mas eu confiava nele porque me dizia quem sabia que o podia fazer. E de facto assim era. Depressa estabeleci com o novo veículo uma relação de inabalável confiança: sabia precisamente quando falhava: sempre que os dias amanheciam frios mais os outros em que menos se esperava. Um carro de carácter vincado.
Só mais tarde percebi, numa viagem a Braga, que o meu antigo carro, não só não dava notícias de falhar como fazia as curvas muito bem e bem depressa. Claro que não o consegui reaver e para comprar outro igual já não tinha dinheiro suficiente.
Quando olho para o que tem acontecido com alguns do nossos recursos humanos vêm-me à ideia que o problema pode muito bem ser o mesmo que o meu: falta um encartado com experiência no meu clube. Ou alguém que perceba de mecânica. Ou ambos os dois, um com o outro.

Sem comentários:
Enviar um comentário